Outro dia sentei-me calma num lugarzinho charmoso, já ansiosa pela chegada de uma xícara de um espresso perfeito. E comecei a pensar sobre porque algo tão efêmero como o café, que não pode demorar mais do que uns poucos minutos pra ser degustado, pode ter se tornado objeto de tamanha adoração, de tamanha dedicação desde o cultivo até a extração. Por que ele é tema de músicas, de pinturas. de blogs? Por que um café mereceria aquele tipo de atenção que demanda a perfeição? Oras... porque o café é como uma obra de arte efêmera. Ele toca os sentidos de uma maneira profunda. Ele fala ao tato, ao olfato, ao olhar. Existe algo de belo numa xícara perfeita. E parece ser ainda mais belo porque efêmero. Cada vez mais tenho a convicção - mais sentida do que pensada - de que são as coisas efêmeras as que mais importam. Nada contra as coisas duradouras. Mas o que importa nas coisas duradouras é justamente o uso efêmero que delas fazemos: é o conforto da cama a cada vez que se deita nela, é o coração que bate com cada novo beijo do já duradouro amor, é o nosso ser que persiste no decorrer de nossa vida, mas que só "é" para nós nesse momento, nesse agora, mesmo que traga consigo todo seu passado, todas as emoções já vividas, as ideias já pensadas. E o que dá graça a essa existência senão esse conjunto de efêmeros, que vem e que vão, e que sempre que surgem, novos ou velhos, nos fazem sentir prazer em viver.
sexta-feira, 4 de março de 2011
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Good Coffee and Good Vibes
Fim de tarde de primavera, com arzinho fresco. Bate aquela fome, e a vontade de deixar o computador um pouco de lado, e simplesmente sentar em um lugar bacana, comer uma coisinha, e ler um livro. Achei que o melhor a fazer era ir num lugar aqui do lado de casa, que se afirma como um "restaurante natural", [cujo nome mencionei na primeira versão da postagem, mas que agora acho mais "delicado" não mencionar... A Veja já o indicou diversas vezes como um dos melhores da categoria. Entro, dou uma olhada, e uma senhora que estava sentada levanta-se demoradamente e então pergunta, com aquela cara de poucos amigos "pois não?". Pergunto se tem algum lanche, algum salgado, algo assim. Ela simplesmente responde "não, não trabalhamos com salgados". E volta a sentar-se na mesa. Eu tento mais uma vez: "então não tem nada pronto, que eu possa comer agora?". Ela, já sentada, secamente devolve "não". Talvez tenha se sentido ofendida pela minha ignorância de achar que num "restaurante natural" teria algo como um "salgado", porque vai ver ache que salgado é sinônimo de coxinha, e imagina que um lugal cool, natural, vai ter uma coisa dessas. Ora, pois. Onde eu morava antes havia uns 4 restaurantes vegetarianos que tinham salgados naturais maravilhosos, sucos de clorofila, e o melhor um atendimento de primeira. É verdade que estou tentando achar uma desculpa para um comportamento que não tem como se justificar. Já havia entrado naquele lugar, que também é uma mercearia, umas duas ou três vezes, nunca encontrei o que buscava, e sempre fui pessimamente atendida por essa senhora rabugenta. Sério, eu tenho preguiça desse pessoal metido a muito alternativo, que se investe de ares de superioridade, e se esquece que mais do que aquilo que você, o que lhe define é o que você é o que você sente. Mais saudável que um pão integral é um sorriso, é a vontade de viver, é a gentileza. Saí de lá me segurando pra não dizer nada, respirando fundo pra conter a raiva, jurando que aquilo havia estragado meu dia.
Mas ainda estava com fome, e ai lembrei de um lugar pelo qual eu havia passado há umas duas semanas, uma loja-café, que então me parecera acolhedor. Andei mais uns três quarteirões e cheguei lá. Algo impressionante aconteceu. Foi colocar os pés no lugar, e de um instante a outro toda a raiva havia passado, senti como se fosse outra pessoa. Além da loja de roupas na parte da frente, há um café com uns três ambientes diferentes. Eu não tive dúvida, sentei num sofá na parte dos fundos, integrada com um quintal deliciosamente autêntico. Tudo muito simples, flores em latinhas de leite condensando, cadeiras cobertas com mantas, elegantemente simples. Parecia que eu estava na casa da minha avó, a casa em que ela morava quando eu era criança, mas, ao mesmo tempo, como se essa casa fosse num daqueles idílicos lugares em que se sabe viver bem, naquela Itália ou França dos filmes. Sensação essa reforçada pela excelente seleção de músicas que tocavam ao fundo.
Pra começar, um sanduiche gratinado e um suco de laranja. Enquanto eu lia calmamente meu livro no confortável sofá branco e via os passarinhos brincarem no quintal, ja senti o cheiro da laranja sendo espremida e do sanduiche começando a esquentar. Suco doce, sanduiche suculento. Depois, mais por gula do que por fome, tive que pedir o "bolo do dia", um bolo de cenoura que veio macio e ainda morninho, com gosto de afeto. E um "pingado", que é como se chama aqui em Porto Alegre o que em São Paulo se chama "espresso com leite" [e o latte tem o nome de "cortado"], que veio servido numa xícara fofa, com uma alça daquelas ideais, que não queimam a mão, acompanhado de bolachinhas. O atendimento foi simplesmente impecável, nem daqueles invasivos que não te deixam terminar direito a comida, nem daqueles que te deixam esperando feito bobo. Daquele que sabe te respeitar, que te faz sentir acolhido e com vontade de voltar. Ah... eu já intui isso quando percebi que ali não tem um balcão, mas uma "cozinha" aberta, que te faz sentir convidado na casa de um amigo. E se você também ficou com vontade de conhecer esse espaço com o singelo nome de "lugar maior", ele fica na rua Felipe Camarão, n. 224, em Porto Alegre, onde agora fiz minha morada. Quem estiver longe, pode dar uma espiada no blog: http://lugarmaior.blogspot.com/ Mas, o mais importante é descobrir um "lugar maior" perto de você, porque o que faz a vida ter graça são mesmo esses pequenos grandes momentos que são capazes de mudar o teu humor, transformar sua "energia", afinal, good vibes são essenciais para um café verdadeiramente bom.
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domingo, 12 de setembro de 2010
Um dia perfeito: Um delicioso café depois de comer a Mônica Bellucci
Já faz um bom tempo que não posto por aqui... hoje retomo as postagens, e o faço compartilhando uma experiência bastante simples, que retrata meu novo cotidiano, aqui em Porto Alegre. Já faz pouco mais de um mês que a capital gaúcha passou a ser minha nova cidade, e, como não poderia deixar de ser, o passeio por suas ruas sempre é feito com o objetivo explícito ou implícito de encontrar lugares interessantes para provar um bom café. E nesse caso, acabo parecendo criança em parque de diversões: os lugares são muitos, um mais atraente que o outro. Estou vivendo aquele momento em que cada vez que ponho os pés para fora de casa, acabo fazendo uma descoberta nova. E foi isso o que aconteceu há poucos dias. Enquanto me encaminhava à simpática "feira modelo" que acontece numa rua aqui perto [que começa às 14 e vai até as 20!], com produtos fresquinhos vendidos diretamente pelos produtores, bateu aquela fominha. No caminho, vi um lugar chamado Pizza do Pão [ www.pizzadopao.com.]. Achando que se tratava de uma pizza feita de pão, entrei no lugar pra descobrir a novidade, mas descobri que se trata de uma pizza tradicional, e que "pão" é o apelido do dono. Tudo bem, nada de novidade, mas o lugar é uma graça, então, resolvemos ficar mesmo por ali. Mas a surpresa mesmo estava no cardápio. Dentre os sabores clássicos, como "Toscana", "Napolitana", "Pesto", surgiu um outro nome italiano que, evidentemente, chamou a atenção: "Monica Belucci". Sim, ali havia uma pizza com o nome da musa italiana, e, já que a idéia era ir em busca de novidades, não tive dúvida, e pedi: quero provar a Monica Bellucci. Mesmo não sendo de pão, a massa é diferente das receitas que já havia provado, e quanto à Bellucci, em particular, ah, uma delícia! A receita leva pimenta dedo-de-moça, picante de verdade, cheguei quase a chorar. Mas como valeu! E descobri que eles tem as pizzas congeladas, aliás, essa é a especialidade do lugar, então você pode comprar e levar pra casa pra comer uma Calabrese, uma Don Corleone ou uma Monica Bellucci a hora que quiser. Mas embora o dia já estivesse perfeito, a perfeição não acabou por aí. Depois de comer a Monica Bellucci, fui à maravilhosa boulangerie Carina Barlett [farei uma postagem só sobre esse lugar, que merece muito, e como merece, toda nossa atenção] tomar um espresso daqueles, daqueles perfeitos. Ah, como a felicidade é simples. É verdade que ainda estou naquela fase de enamoramento com a cidade, na qual tudo são flores e o coração bate mais forte a cada novo ângulo que se descobre. Mas, até o momento, a vida em Porto Alegre tem sido isso mesmo, gozar os pequenos prazeres, deixar-se encantar por uma nova paisagem, por um novo gosto, por um novo cheiro, por um novo lugar, e descobrir ali aquelas coisas sofisticadamente simples que nos fazem sorrir.
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
Meu primeiro moinho de café...
Há tempos que venho sonhando em comprar uma máquina de espresso, mas, não queria qualquer uma. Como não queria qualquer uma, precisaria desembolsar uma quantia que está muito além do potencial financeiro pra quem vive de bolsa [veja bem, de bolsa - da Fapesp, no caso, e olha que não to reclamando - e não da Bolsa, o que são duas coisas muito diferentes], resolvi fazer como fazem os italianos: continuo com minha boa e velha Mocha Bialleti, que tira a quantidade de café na medida ideal para meu café da manhã. E mais recentemente, estou me divertindo com a Aeropress, que apareceu como dica na Revista Espresso e que tive a felicidade de encontrar no Coffee Lab, da Isabela Raposeiras. Mas confesso que ainda não domino plenamente a técnica do Aeropress, embora o café seja realmente divino quando eu consigo acertar o ponto!
Quanto ao espresso pra beber na rua, geralmente depois do almoço ou no meio da tarde, naquela hora e a cabeça começa a pifar. Estou felicíssima com minha decisão, afinal, sair de casa nesse friozinho ensolarado com a desculpa de tomar um café é a melhor coisa que se pode fazer!
Contudo, sentia ainda a necessidade de um certo improvement no meu consumo diário. Embora compre sempre cafés gourmet fresquinhos, ficava um pouco frustrada com a pouca disponibilidade de cafés com moagem adequada para Mocha, sendo que o mais próximo é a moagem para espresso mesmo. Então decidi, finalmente, comprar um moedor elétrico! Café moidinho na hora e com a granulometria adequada? What else could I wish? Claro que também não dava pra comprar um moedor "pro", então, fui atrás de um doméstico mesmo. E enquanto pesquisava modelos, tipos de hélice e essa coisa toda, acabei descobrindo que e tinha acumulado pontos suficientes no meu banco, e no site conveniado havia - pasmem!- a possibilidade de trocar pontos por um moedor da marca Cadence.
Minha avaliação sobre o dito cujo? Bem, não é exatamente aquela Brastemp, as hélices são retas, embora eu preferisse côncavas [produzem uma moagem que fica mais encaixada], tem o inconveniente de não vir nenhuma instrução sobre o tempo que deve ficar ligado para a granulometria desejada [se para filtro, mocha, espresso, french press, etc.], mas depois de alguns cafés aguados e outros com muita borra, é possível chegar muito próximo da perfeição [daquela possivel para a produção caseira com uma máquina caseira]. Mas, o que posso dizer, cheirinho de café recém moído logo cedinho é algo que, definitivamente, não tem preço. Estou feliz da vida com a minha aquisição e com a não compra de uma máquina de espresso [por enquanto, é claro]. E quem estiver na dúvida, eu recomendo: compre um moinho, é baratinho [entre 70 e 150, dependendo da marca] e aumenta, em muito, o prazer de fazer café em casa.
Quanto ao espresso pra beber na rua, geralmente depois do almoço ou no meio da tarde, naquela hora e a cabeça começa a pifar. Estou felicíssima com minha decisão, afinal, sair de casa nesse friozinho ensolarado com a desculpa de tomar um café é a melhor coisa que se pode fazer!
Contudo, sentia ainda a necessidade de um certo improvement no meu consumo diário. Embora compre sempre cafés gourmet fresquinhos, ficava um pouco frustrada com a pouca disponibilidade de cafés com moagem adequada para Mocha, sendo que o mais próximo é a moagem para espresso mesmo. Então decidi, finalmente, comprar um moedor elétrico! Café moidinho na hora e com a granulometria adequada? What else could I wish? Claro que também não dava pra comprar um moedor "pro", então, fui atrás de um doméstico mesmo. E enquanto pesquisava modelos, tipos de hélice e essa coisa toda, acabei descobrindo que e tinha acumulado pontos suficientes no meu banco, e no site conveniado havia - pasmem!- a possibilidade de trocar pontos por um moedor da marca Cadence.
Minha avaliação sobre o dito cujo? Bem, não é exatamente aquela Brastemp, as hélices são retas, embora eu preferisse côncavas [produzem uma moagem que fica mais encaixada], tem o inconveniente de não vir nenhuma instrução sobre o tempo que deve ficar ligado para a granulometria desejada [se para filtro, mocha, espresso, french press, etc.], mas depois de alguns cafés aguados e outros com muita borra, é possível chegar muito próximo da perfeição [daquela possivel para a produção caseira com uma máquina caseira]. Mas, o que posso dizer, cheirinho de café recém moído logo cedinho é algo que, definitivamente, não tem preço. Estou feliz da vida com a minha aquisição e com a não compra de uma máquina de espresso [por enquanto, é claro]. E quem estiver na dúvida, eu recomendo: compre um moinho, é baratinho [entre 70 e 150, dependendo da marca] e aumenta, em muito, o prazer de fazer café em casa.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
Café com corpo e alma
O "corpo" é uma das principais características do café. Quando se avalia a qualidade de um espresso, os principais elementos considerados são a crema[aveludada, duradoura, espessa e cor de avelã], o sabor [que deve equilibrar doçura, acidez e amargor, com proporções variáveis] e o corpo, que é o volume, o peso do café, que pode ser leve ou intenso, e é sua viscosidade, quase licorosa, que garante que o sabor irá ter permanência.
Mas há alguns cafés que, além de corpo, também têm alma! O corpo do café garante a persistência do sabor por alguns minutos, às vezes por mais de uma hora. Um café com alma imprime o gosto na nossa memória... A alma faz com que ele tenha a propriedade de tornar mágico um momento e eternizá-lo, fazendo com que tudo o que se vive e se sente naquele instante seja permanentemente associado com aquele gosto. É o "aftertaste" mais sublime dentre todos os que pode produzir o mais perfeito café.
Mas há alguns cafés que, além de corpo, também têm alma! O corpo do café garante a persistência do sabor por alguns minutos, às vezes por mais de uma hora. Um café com alma imprime o gosto na nossa memória... A alma faz com que ele tenha a propriedade de tornar mágico um momento e eternizá-lo, fazendo com que tudo o que se vive e se sente naquele instante seja permanentemente associado com aquele gosto. É o "aftertaste" mais sublime dentre todos os que pode produzir o mais perfeito café.
sábado, 15 de maio de 2010
Sombra e Café Fresco: Florinda
1) Qualidade do café: excelente! O café servido tem uma das origens mais nobres dentre os cafés brasileiros, a Fazenda Pessegueiro, situado na região "mogiana", e já faturou prêmios internacionais. 100% arábica, obviamente, torra média, sabor encorpado com retrogosto bem persistente, aromas que lembram castanha e chocolate. A "crema" veio espessa e firme, como se pode ver na foto ao lado, o que indica não apenas qualidade do grão, mas competência na moagem e na regulagem da máquina para garantir uma extração ideal.
2) Qualidade da Xícara: esse ainda parece ser o ítem que mais deixa a desejar até mesmo nos excelentes cafés. A boca larga faz com que o café esfrie muito rápido, ainda mais num dia de temperatura amena como aquele em que lá estive, e essa alça é daquelas que fazem a mão escorregar um pouco. Como disso, para um espresso curto, o estrago não é tão grande, mas para um lungo ou latte, é certeza que o dedo queima ao encostar na xícara. Acho que vou fazer qualquer dia desses um post especial sobre xícaras! Parece besteira, mas é como taça de vinho, o formato influencia e muito o resultado final.
3) Atendimento: no dia em que estive no café, estava com alguma pressa, então, naquela circunstância, o atendimento ideal para mim era o rápido e prestativo, e foi exatamente isso o que obtive, tanto quando perguntei sobre qual o café servido, quanto sobre os docinhos de acompanhamento. Fui informada com rapidez e objetividade sobre as coisas que queria saber, ainda no balcão, porque queria dar uma olhadinha nos docinhos antes, e poucos instantes depois que sentei na mesa, recebi o muffin e o café bem quentinho. Atendimento ideal.
4) Cadeiras e mesas: mesas e cadeiras de madeira estilo colonial. Mesas para 4 pessoas, podendo ser agrupadas. Há mesas na parte interna e na sacadinha, todas muito agradáveis. As cadeiras são muito confortáveis, adornadas com mantas cor-de-vinho, combinando com as paredes, enquanto as mesas tem vazinhos com flores naturais. Destaque também para a iluminação, indireta, com abajures de parede e luz natural que entra pelas portas e janelas. É um ambiente pequeno mas extremamente bem arejado, conforme o lugar que se escolhe sentar, tem-se uma vista para a linda decoração interna do café, ou para a deliciosa e arborizada Aspicuelta.
5) Sons no ambiente: confesso que se havia música não prestei atenção. Acho que tenho que voltar lá então... Lembro apenas de ouvir os passarinhos do lado de fora. No horário que fui [15:30 de uma sexta] havia apenas outra mesa com duas pessoas, então estava bastante silencioso. Mas, como não é muito grande, não acredito que chegue a ficar barulhento.
6) Acompanhamentos: provei apenas um Muffin de limão, que estava bom, nem muito doce nem muito azedo, embora a massa estivesse um pouco mais quebradiça do que deveria. Há opções de diferentes tipos de brigadeiro, de bolo caseiro, que estava com uma cara muito boa. Também serve pratos variados, com destaque para as saladas, mas estes não são exatamente acompanhamentos para o café...
7) Um "q" a mais... É lindo, muito lindo, bastante florido, bastante feminino, embora certamente seja um ambiente que agrada não apenas às mulheres. Pena que tive pouco tempo para ficar por lá, mas é certamente um daqueles lugares em que se pode esquecer da vida olhando a paisagem, ou ler um livro com calma [há inclusive alguns disponíveis para leitura] ou perder a noção do tempo batendo um bom papo. Ah, também é possível comprar o café da fazendo pessegueiro torrado, moído e embalado a vácuo pra levar pra casa, assim como blends de chás [ainda volto lá só pra provar os chás!], pães integrais e geléas.
O café Florinda fica na Rua 181, e funciona de 2a a 6a das 10:00 às 19:00 e sábados das 12:00 às 18:00.
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domingo, 25 de abril de 2010
Stuzzi - um refúgio perto do Metrô da Vila
Hoje quero começar uma seqüencia de posts voltadas a avaliação de alguns estabelecimentos de São Paulo que servem café. Começo, é claro, pela Vila Madalena [embora alguns cafés da região já tenham sido temas de postagens anteriores]. Nessas postagens irei considerar alguns critérios que são importantes pra mim [totalmente subjetivos!], e que imagino que podem ajudar os leitores na hora de escolher onde marcar um bate papo com algum amigo ou onde fazer uma pausa para um cafézinho. Afinal, não basta o café ser bom e bem tirado. É preciso que a xícara seja adequada, que o lugar seja agradável e que o dito cujo esteja em boa companhia. Eis, afinal, os critérios: 1) Qualidade do café; 2) Qualidade da Xícara; 3) Atendimento; 4) Cadeiras e mesas; 5) Sons no ambiente 6) Acompanhamentos 7) Um "q" a mais...
Começo com o Stuzzi, que fica pertinho do Metrô da Vila Madalena, na rua Paulistânia no. 450. Depois de um dia cheio de poluição e barulho, de sobe e desce de metrô, parar no Stuzzi é quase como parar num Oasis. Há mesinhas do lado de dentro e de fora, poucas mesinhas, aliás, garantindo a tranquilidade do seu "coffee break" mesmo quando o ambiente está "lotado". E se não estiver "in the mood" para um café, certamente será difícil deixar passar a chance de provar um sorvete, porque a casa oferece um dos melhores sorvetes da cidade, seguindo uma receita italiana impecável. Figo com marsala ou chocolate belga são dois dos meus favoritos. Mas, passemos então à avaliação segundo os critérios acima propostos.. 1) Qualidade do café: o café é muito bom [no seguinte ranking pessoal: ruim, tomável, bom, muito bom, excelente, excepcional], da marca ORFEU, proveniente da Fazenda Sertãozinho, do Sul de Minas. Antes eles serviam também o Eurídice, mas acho que está fora do cardápio agora, embora você encontre ambos para vender no pacote. 2) Qualidade da Xícara: a xícara é personalizada com o desenho da marca Orfeu, mas é daquelas cuja asa não facilita muito o manuseio. Pra um espresso, até que vai, mas já para um duplo ou latte, complica a situação do dedo, que encosta na xícara em queima ; 3) Atendimento: as moças que atendem são prestativas e tiram bem o café, mas às vezes ele demora um pouco pra vir, e algumas vezes chegou até mim, um pouco frio; 4) Cadeiras e mesas: as cadeiras são confortáveis, permitem uma boa acomodação das costas e as mesas têm tamanho razoável, acomodando até três pessoas, embora duas seja o ideal. Na parte interna há pufes pequenos e bancos altos no balcão, estofados, bom pra quando se está com pressa; 5) Sons no ambiente: geralmente, música italiana ou jazz, sempre num volume agradável. Como o lugar é pequeno, a conversa alheia nunca chega a ser um problema. Embora o espaço seja aberto e as mesas sejam voltadas paras a rua, os carros não são muitos, permitindo que a experiência auditiva seja bem agradável 6) Acompanhamentos: um dos pontos fortes do lugar. Não tanto pela variedade, mas pela qualidade maravilhosa dos produtos, que são pares perfeitos para o café. Da turma do "sal" tem um folhado de alcachofra com queijo chèvre que é um negócio. Da turma do doce, os meus favoritos absolutos [além do sorvete, que não é exatamente um 'acompanhante' de café, então não conta] há os muitos tipos de Brownie, dos quais provei dois, o amargo, com chocolate belga [da foto acima], e a novidade da casa, o brownie com chocolate VALRHONA. Sim Valhrona!!! Depois que provei esse nem perco tempo provando os demais. 7) Um "q" a mais...: o aconchego do lugar, ao ar livre, com boas revistas pra ler, e os doces muuuito bem feitos. Um bom café merece um acompanhamento digno.
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domingo, 11 de abril de 2010
E por que café???

Semana passada encontrei minha amigona dos tempos de colégio, Mareike que eu não via há uns nove anos, e seu noivo, Gregory. Tínhamos apenas umas poucas horas pra por a conversa em dia, e eu queria pensar em alguma coisa interessante pra fazermos, que desse pra mostrar alguma coisa interessante de São Paulo. Antes mesmo do esperado encontro, soube que aquilo que eles queriam mesmo fazer era "tomar um café" em um local de minha escolha, pois este blog está fazendo com que entre meus amigos eu tenha a fama de "especialista" em cafés. Isso me fez rir um bocado, mas é claro que não podia recusar a sugestão. É claro que de especialista não tenho nada, mas o mero fato de querer dedicar um blog ao café, é algo que parece um pouco intrigante, ainda mais para alguém que não é barista, nem produtora, nem nada... Que muita gente neste país e mesmo mundo afora aprecia muito o café, fazendo de seu consumo um hábito cotidiano, não é novidade pra ninguém. Mas de onde saiu essa idéia de fazer desse hábito um motivo para dedicar linhas e linhas de escrita? O post de hoje é pra responder a esse pergunta que muitos amigos já me fizeram, inclusive Mareike e Gregory: "afinal, e por que café?"
Well, well, well. A resposta poderia ser bastante simples, algo como "porque sim, oras!", ou "porque gosto de café". Mas vou optar pela resposta menos simples, que é também a mais verdadeira, e que investiga não apenas as minhas razões pessoais, mas os motivos pelos quais o café tem se tornado cada dia mais objeto de adoração. Vejamos. Pra começar a conversa, a bebida "café" tem muita semelhança com a mais veneradas das bebidas, o vinho, embora ainda não goze da mesma reputação. Assim como o vinho, a bebida que chega a nossa xícara passou por uma longuíssima jornada, na qual estão implicados diversos fatores que determinam a personalidade final da bebida. A variedade que é plantada, a qualidade da semente, o tipo de solo no qual esta irá germinar, a quantidade de irrigação, de vento, de sol, o modo como é feita a colheita, a seleção final dos grãos, o processo de secagem, o tipo e a intensidade da torra, a embalagem, a moagem, o modo como se transforma o pó em bebida e até mesmo o formato da xícara. Quando vertemos o líquido em nossa boca podemos experimentamos o resultado de toda essa jornada, sem geralmente nos darmos conta de tudo o que há por trás desse momento. Talvez seja um pouco por isso que o café, assim como o vinho, também é envolto em certa aura de mistério. Há algo nele que nos intriga, que nos faz querer desvendar seus segredos, que nos faz querer saber que surpresa nos aguarda na próxima xícara que iremos provar. O café não é um mesmo que um suco de laranja. É bastante raro que se escute por aí alguém falando "oi, tudo bem com você, o que acha de tomarmos um suco de laranja qualquer dia desses?" ou então, "puxa, que canseira, está na hora do meu suquinho". Nem vemos músicas dedicadas ao suco de laranja, ou que o tenham lá no meio da letra. Além de ser uma bebida complexa, pelos motivos acima expostos, o café parece desempenhar um papel importante em nosso universo cultural e mesmo nas relações sociais. Há quem atribua a introdução mais sistemática do café na Europa como um dos fatores da dinamização intelectual dos séculos XVIII e XIX, até mesmo da revolução industrial, quando o consumo dessa bebida enérgica começou a substituir ou ao menos a contrabalançar o consumo de álcool, garantindo longas jornadas de trabalho ou de discussões filosóficas e políticas nos estabelecimentos que logo passaram a ter o nome da bebida, ou seja, nos cafés. O café, enquanto estabelecimento, foi uma verdadeira "instituição" durante o processe de criação da "esfera pública" européia. O que seria publicado nos jornais e nos livros não era apenas gestado no silêncio dos gabinetes ou nas festas do salões, mas, nos "cafés". Talvez no mundo contemporâneo os cafés tenham perdido um pouco esse papel de palco de novas idéias políticas, mas continua a ser um espaço em que pessoas se encontram pra conversar do filme que acabaram de assistir ou do livro que querem começar a ler - não é à toa a proliferação dos cafés em cinemas e livrarias [alias, alguns dos mais simpáticos de são paulo encontram-se nessa categoria], onde pessoas marcam encontros pra matar a saudade, pra discutir coisas do trabalho, ou apenas onde se sentam solitárias para ler o jornal. Podia continuar a enumerar os motivos. Mas há ainda um último, um pouco menos prosaico do que essa atração pelo complexo e misterioso, que é a seguinte: eu gosto muito de café, e na vida aprendi que quando se gosta de alguém ou de algo, o melhor que se tem a fazer é conhecer a fundo, pois quanto mais se conhece mais se aprende a gostar, descobre-se coisas inesperadas, vê-se o belo ou o feio onde antes não se via nada, surpreende-se, aprende-se o que há de melhor. Não é necessário ser um enólogo para gostar de vinho, ou ser um barista para gostar de café. Mas conhecer o mais que se puder, além de ser uma diversão à parte, ajuda a fazer escolhas melhores e a aprofundar a sensibilidade. Quanto mais apurada a sensibilidade, mais podemos nos deleitar com aquilo que há de melhor neste mundo, inclusive neste mundo do café.
domingo, 17 de janeiro de 2010
Café com Cerveja???
Dê uma boa olhada na espuma cremosa da xícara ao lado. Parece um espresso bem tirado, não é verdade? Na foto um pouco mais abaixo, não temos dúvidas de que se trata de um cafezinho bem encorpado. Como diz o ditado, as aparências enganam. Ou talvez, neste caso, nem tanto. A bebida de corpo negro e espuma da foto não é café, é... cerveja! Mas a primeira impressão não é de todo equivocada: é uma cerveja do tipo Porter, com CAFÉ. Sim, café! E dos bons. Trata-se de uma receita criada pela cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto, feita com maltes importados e com um brasileiríssimo café da região mogiana, que recebe um tratamento especial antes de ser incorporado ao mosto. É esse tratamento que faz com que, ao beber a cerveja, seja possível perceber com bastante nitidez o gosto de café fresquinho. Talvez a combinação cerveja + café não seja algo tão estranho, quando pensamos no santo cafezinho que ajuda a cortar um pouco o efeito dos copos de cerveja em excesso. Mas os dois unidos num mesmo copo [ou xícara, como na brincadeira da foto], isso sim é original. E quem estiver torcendo o nariz pra idéia, pode começar a distorcer. A combinação deu certo, muito certo. E essa não é apenas a minha opinião. Essa cerveja já levou vários prêmios internacionais, inclusive a de melhor cerveja do tipo "porter" na European Beer Star de 2008. Pra ter mais informações sobre a cervejinha, vale dar uma conferida no site da cervejaria, no tópico sobre a Demoiselle, o singelo nome para esta bela criação, em homenagem a Santos Dumont [no site há a explicação para o nome].
Ontem à noite, enquanto bebia, fiquei imaginando com que a Demoiselle poderia ter um casamento feliz: sanduiche de presunto pata-negra; linguiça de cordeiro acompanhada de batata saute; qualquer carne defumada; e agora, uma idéia meio heterodoxa, mas que pode funcionar [vou testar e depois conto]: acompanhando uma sobremesa de figos frescos tostados caramelizados com melado e noz moscada. Hmmmmm.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Café na terra do Chá





Quando se pensa em Inglaterra, logo vem à cabeça uma de suas mais famosas "instituições": o chá das 5. Trata-se de uma instituição ainda bastante vigorosa, afinal, como pude constatar em minha primeira e recente viagem àquelas terras, por volta desse horário todos os estabelecimentos do gênero encontram-se lotados. E nas mesas, vê-se mesmo a famosa combinação "tea and scones". No entanto, talvez em uma proporção igual ou maior à de chá, vemos também numerosas xícaras de café, whether black or latte, acompanhadas de todo tipo de quitute. Mas, nos outros momentos do dia, o café parece reinar absoluto: no café da manhã, que durante a semana parece mais com o continental breakfast do que com o tradicional "english breakfast", no meio da manhã, depois do almoço, no meio da tarde ou até após o jantar. Trata-se de um hábito também já bastante enraizado. E há uma coisa bastante na moda por lá: o fair trade coffee. Não é raro ver plaquinhas na frente dos estabelecimentos assegurando que os cafés ali servidos foram comprados por vias que garantem um padrão de negociação justo. E não apenas nos locais que servem o cafezinho, mas também nos vários locais dedicados exclusivamente à venda do grão. Aliás, esse é outro fato curioso. Nas casas que frequentei, pude observar que a preferência é pelo grão inteiro, que é moido em casa, na hora, contribuindo pra ter um aroma mais intenso. Os cafés de origem costa-riquenha ainda parecem mais populares por lá do que os brasileiros, embora estes ganhem em fama, o que os torna mais caros. Em uma das fotos abaixo, tirada na casa da famíla Watts-Miller, em Bristol, pode-se ver o moedor mais utilizado por lá, bem como o modelo de cafeteira doméstica mais popular: a cafeteira francesa, que produz um café menos encorpado que o da de espresso ou da famosa "italiana", mas mais encorpado que o da cafeteira de filtro.
Eu bem que tentei atualizar o blog durante a viagem, mas o tempo foi curto demais, então, já de volta pra casa, faço um breve balanço dos cafés mais marcantes da viagem, mostrando algumas fotos.
O primeiro lugar realmente impressionante, talvez um dos mais marcantes, foi no Bibury Court, que é um hotel com um café aberto a visitantes situado numa mansão do século XVIII, situado na minúscula cidade de Bibury, na região de Costwold, entre Bristol e Oxford. Em meio a uma natureza realmente exuberante, com árvores e riachos, o café fica num salão elegante, com lareira, poltronas delicadamente revestidas de couros o tecido floral, dando ao visitante a impressão de que está sendo recebido em uma casa. Naquele dia extremamente frio e chuvoso, aquela magnífica xícara de latte [enorme, muito cremoso] ficou realmente cravada na memória. Poderia passar ali o resto do dia, olhando a paisagem e gozando da companhia de Elizabeth e William, os maravilhosos "cicerones" que me fizeram ter momentos realmente incríveis em Bristol. As fotos, no sentido horário, são a 4 e a 6. Para saber mais sobre o local, é só dar uma olhadinha no site e suspirar de vontade:
Outro lugar bastante interessante é o Caffé Nero, uma rede espalhada por vários lugares da Inglaterra, que serve um café de excelente qualidade. Dentre aqueles que tive a chance de frequentar, o mais marcante foi aquele que fica dentro da Berghan Books, em Oxford. Depois de passar umas boas horinhas olhando o fantástico acervo da livraria, a parada no café é mesmo uma experiência que não se deve perder, experiência que alias repeti mais de uma vez. Lembro bem do primeiro dia. Era o primeiro dia de sol desde que chegara, o que me fez acordar de muito bom humor. Mas o sono ainda era forte. Caminhei um tanto pelas ruas ainda vazias de Oxford, tentando conhecer um pouco mais a cidade, buscando desesperadamente por um lugar em que pudesse beber um café para me aquecer e, sobretudo, para acordar, pois teria um dia cheio pela frente. Eu só poderia entrar na Bodleian Library às 09, e descobrir a Berghan já aberta aquela hora foi a melhor surpresa. Carregada com os novos livros recém comprados, sentei na mesa do café, acompanhada de uma linda xícara de café e um muffin de laranja com pecã [foto 3]. Naquela mesinha de madeira, batia um fio de sol e, erguendo a cabeça, via pela janela o conjunto arquitetônico que provavelmente é o mais representativo de Oxford, a frente da Bodleian e, ao lado, o Sheldonian Theatre com sua magnífica cúpula [foto 5]. Naquele momento, o fato de só poder entrar na biblioteca depois das 09 deixou de ser um problema, pois ficar sentada naquela mesa, bebendo café, e lendo as minhas novas "aquisições" me fazia ter a impressão de que o tempo parara. Acho que foi por isso que não consegui ter tempo de atualizar o blog... a atmosfera era tão absorvente que a cabeça parecia habitar outro mundo.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
A minha primeira vez


Hoje estava tentando lembrar de quando foi que comecei a gostar de café, e a resposta veio rapidamente: foi na primeira vez que provei um "café gourmet"... E a minha primeira vez aconteceu no Café do Museu, que fica, como sugere o nome, no Museu do Café, na cidade de Santos, no prédio que já foi a sede da "Bolsa do Café". Na minha casa, minha mãe e meu pai bebiam café, mas isso não era bebida para crianças. Na adolescência, especialmente quando sai de casa, aos 16 anos, até comecei a tomar aquela xícara diária, pela manhã, sempre com leite e açúcar. Bebia não tanto por prazer, mas para acordar, e também um pouco por força do hábito e por preguiça, dado que era o que bebiam as outras pessoas que moravam comigo. Até então, jamais passaria pela minha cabeça entrar num lugar e pedir por uma xícara de espresso puro, a não ser que o sono exigisse isso. Mas tudo mudou naquela tarde de Janeiro de 2001. A minha primeira vez foi em grande estilo. Tudo naquele lugar exalava café: não apenas o seu cheiro, mas a atmosfera, as idéias, as imagens. Lembro ainda como se fosse ontem. Estávamos sentados numa das lindas mesas de madeira do café que fica logo na entrada do museu. Havia vários jornais a disposição de quem quisesse ler. E nao fosse pelas noticias do dia e pelo barulho da maquina de espresso, poderia mesmo dizer que havia voltado no tempo, que estava em pleno século XIX. Para acompanhar o docinho que escolhi, vi diante dos meus olhos cinco tipos de grãos há pouco torrados e ainda não moidos. Escolhi um deles, que me disseram ser o mais suave. Não esqueçam que era minha primeira vez. tinha que ir devagar. Disseram-me que o bom mesmo era prova-lo puro, sem leite, sem açucar. Eu, reticente, verti o líquido negro e quente para dentro da boca. Foi ali que me apaixonei... Naquele mesmo dia provei ainda dois dos outros 5 tipos que ali estavam e, desde então, o café "gourmet" passou a fazer parte da minha vida e a encher meu cotidiano de sabor e alegria. As fotos acima não são daquele dia... naquela época nem sonhava em ter uma digital, e tampouco pensava na graça que poderia ter tirar fotos de cafés. Essas são de Fevereiro de 2008, quando no Museu estava sendo exibida uma mostra muito especial em homenagem aos 150 anos de imigração japonesa, cuja história coincide com a própria história do café em nosso país. Quem for a Santos não pode deixar de conhecer esse museu e provar um dos vários tipos de espresso torrados ali mesmo. Quem quiser, pode pedir para moer o café para ser levado pra casa: há diversas opçoes de moagens de grao, até para Mocha. Talvez a melhor lembrança para se trazer consigo: uma lembrança com gosto e cheiro de história. Fica na rua XV de Novembro, numero 95.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Black Gold - The Movie: Pensar não é o mesmo que Parar
Esses comentários variavam de "por isso que não tomo café" até "por que sempre que há algo de bom alguém precisa jogar um balde de água fria?". Isso, é claro, fez-me pensar. Sim, esse blog é dedicado ao amor pelo café, a todo o universo gastronômico, culural, estético e simbólico que está a seu redor. Então, pode parecer um pouco despropositado trazer para esse espaço considerações de natureza mais crítica, convidar os leitores a pensar no lado duro da história. Mas, por mais despropositado que isso pareça, resolvi enfrentar a questão. Vejamos. A primeira consideração a ser feita, é essa: embora ainda não tenha assistido, não tenho dúvidas de que esse documentário já traz consigo o grande mérito de trazer para o debate público uma questão tão relevante, que se aplica também ao caso do café, mas não apenas a isto: todas as coisas que chegam até nós, a não ser aquelas oriundas diretamente da natureza,[ou seja, a chuva que cai na cabeça, o ar que entra pelos pulmoes, e mais umas poucas coisas não mediadas pelas mãos humanas, são fruto do trabalho. Isto é, têm um valor, um valor incorporado nelas que em virtude desse trabalho. E a história da humanidade, desde sempre, tem sido a história da dominação, da apropriação do trabalho alheio. Ou seja... não falo de outra coisa a não ser da teoria do valor trabalho de Marx. Assim foi em toda civilização, assim foi com a cana de açúcar no Brasil, que dependia da mão de obra suada e sofrida dos escravos. Sim, a humanidade é extremamente lenta em seu processo de aprendizado, e muitas vezes as mudanças acontecem por razões que não necessariamente brotam imediatamente da consciência moral. No caso da cana de açúcar: o trabalho escravo passou não apenas a ser proibido legalmente, mas passou a ser repudiado pela consciência moral média [agora passamos de Marx para Durkheim...] - no entanto, ninguém disse que, dado que a produção do açúcar estava intrinsecamente ligada à mão de obra escrava, dever-se-ia parar de consumir açúcar. A questão que se impunha e continua a se impor é a de encontrar formas cada vez mais justas de produção desse bem. Agora não dá pra entrar no mérito da questão sobre o que é justo ou não, de quais as estratégias que diminuem a desigualdade, etc., coisa que estaria num nível de discussão da economia ou da sociologia econômica [que não é a minha área]. Fico mais nas questões, digamos, filosóficas do problema. O que quero dizer, é que o mesmo se aplica ao caso da produção do café [aliás, pensemos também que algo semelhante ocorre com a produção de cacau, com a extração de diamantes, etc.]. Fechar os olhos para a questão não a faz desaparecer. Deixar de tomar café não trará o bem-estar material que os produtores de café necessitam. Qual a solução do problema? Gostaria de saber, mas não sei. Claro que a idéia do projeto de "Fair Trade" [no próximo post trarei mais informações sobre isso] parece apontar para um caminho mais interessante, muito embora com grande freqüências as idéias costumem ser mais interessantes e mais justas do que a prática. Mas já são um começo.
Contudo, onde é que quero chegar afinal de contas? Em primeiro lugar, a uma defesa da proposta do documentário: o primeiro passo para a superação de qualquer injustiça é mostrar que ela existe, fazer com que a consciência moral da sociedade humana a sinta como uma injustiça. Tornar público um problema é a condição primeira para tentar superá-lo. Este é o papel crucial desse documentário e de todos os esforços concentrados nessa direção. Em segundo lugar, deixo de lado a questão da crítica e da importância da esfera pública na formação da consciência moral, para uma outra questão, menos ética, talvez mais estética não sei. O café foi, é, e continuará sendo objeto de desejo. Quanto mais se desejar um excelente café, tanto mais isso indicará um aprimoramento de nossos gostos. E acima de tudo, queria concluir com o seguinte: que sentido teria a vida, que sentido teria a abundância de bens materiais, se nossas vidas não fossem pontilhadas por esses pequeninos grandes prazeres, sejam estes assistir um filme, dar risadas, estar na companhia das pessoas que amamos, viajar num livro, ou beber uma pequena xícara com uma densa espuma de um perfumado café? Se isso é tão importante pra nós, que seja igualmente valorizado o trabalho daqueles que tornam esse prazer possível.
Contudo, onde é que quero chegar afinal de contas? Em primeiro lugar, a uma defesa da proposta do documentário: o primeiro passo para a superação de qualquer injustiça é mostrar que ela existe, fazer com que a consciência moral da sociedade humana a sinta como uma injustiça. Tornar público um problema é a condição primeira para tentar superá-lo. Este é o papel crucial desse documentário e de todos os esforços concentrados nessa direção. Em segundo lugar, deixo de lado a questão da crítica e da importância da esfera pública na formação da consciência moral, para uma outra questão, menos ética, talvez mais estética não sei. O café foi, é, e continuará sendo objeto de desejo. Quanto mais se desejar um excelente café, tanto mais isso indicará um aprimoramento de nossos gostos. E acima de tudo, queria concluir com o seguinte: que sentido teria a vida, que sentido teria a abundância de bens materiais, se nossas vidas não fossem pontilhadas por esses pequeninos grandes prazeres, sejam estes assistir um filme, dar risadas, estar na companhia das pessoas que amamos, viajar num livro, ou beber uma pequena xícara com uma densa espuma de um perfumado café? Se isso é tão importante pra nós, que seja igualmente valorizado o trabalho daqueles que tornam esse prazer possível.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Ekoa: latte e twitter
Eu normalmente não abro mão do espresso purinho, o black coffee legítimo. Mas hoje tá fazendo um friozinho gostoso, e ai resolvi pedir uma média, o que me remete à infância, especialmente a casa da minha avó, que, aliás, até hoje bebe um cafezinho com leite antes de dormir, quando acorda, depois de comer. É pra "sentar o pelo", como ela diz. E não foi má escolha. To de novo aqui no Ekoa café, sobre o qual já escrevi. Aliás, posto o blog aqui do café mesmo, que tem uma rede wireless excelente, rápida, gratuita, e o melhor, você pode ficar o tempo que quiser, ninguém te pressiona pra ir embora. AS atendentes, super simpáticas, aliás, só vem conferir a mesa quando as chamamos apertando um botãozinho. Aqui é tão bom que acabo perdendo o horário... agora mesmo deveria estar em casa trabalhando. Mas, sem esses pequenos momentos, que graça teria a vida? Ah, antes que me esqueça do fundamental: o café estava absolutamente perfeito, medida exata de leite, espuma quase transbordando, como se pode ver na foto. E as xícaras aqui são daquelas que deveriam ter em todo lugar: com aquela alça que encaixa o dedo e evita que queime. Como já dizia alguém, a perfeição mora nos detalhes. www.ekoacafe.com.brCafé Aprendiz
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Un cafecito

Escondinho, na rua Simão Álavares, entre a Artur de Azevedo e Rua dos Pinheiros. O espresso é do "café do centro", bem tirado, bom creme, embora a xícara seja daquela que queima os dedos. Provei o café acompanhado de um bolo de laranja bem caseiro, muito parecido com a receita da minha mãe. Perfect match! O lugar é bem tranqüilo, tem revistas pra ler, brinquedos, tabuleiro de xadrez. Pode ser ótimo pra um cafezinho rápido depois do almoço, mas é ainda mais convidativo pra se passar uma tarde inteira lendo um livro ou batendo papo. E essa permanência esticada, algo não muito comum aqui no Brasil, parece ser algo incentivado pelos donos. E também é favorecido pelo fato de estar situado em uma rua bastante tranqüila, e ser relativamente pequeno, de modo que, mesmo quando cheio, não se ouve aquele burburinho irritante. As mesas são todas de madeira, enfeitadas com toalhas artesanais feitas em tear, o que torna a decoração bastante pessoal e aconchegante.
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Café Amargo
Um café puro não é necessariamente amargo. Ele em geral é doce, cheio de sabores. Mas até um café doce pode ser amargo, quando evoca lembranças tristes, de saudade, de sentir falta, de decepções. Mas o que importa, afinal, é a boa comapanhia daquela xícara que ora levanta os ânimos, ora escuta silenciosamente os suspiros.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
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