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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Good Coffee and Good Vibes
Fim de tarde de primavera, com arzinho fresco. Bate aquela fome, e a vontade de deixar o computador um pouco de lado, e simplesmente sentar em um lugar bacana, comer uma coisinha, e ler um livro. Achei que o melhor a fazer era ir num lugar aqui do lado de casa, que se afirma como um "restaurante natural", [cujo nome mencionei na primeira versão da postagem, mas que agora acho mais "delicado" não mencionar... A Veja já o indicou diversas vezes como um dos melhores da categoria. Entro, dou uma olhada, e uma senhora que estava sentada levanta-se demoradamente e então pergunta, com aquela cara de poucos amigos "pois não?". Pergunto se tem algum lanche, algum salgado, algo assim. Ela simplesmente responde "não, não trabalhamos com salgados". E volta a sentar-se na mesa. Eu tento mais uma vez: "então não tem nada pronto, que eu possa comer agora?". Ela, já sentada, secamente devolve "não". Talvez tenha se sentido ofendida pela minha ignorância de achar que num "restaurante natural" teria algo como um "salgado", porque vai ver ache que salgado é sinônimo de coxinha, e imagina que um lugal cool, natural, vai ter uma coisa dessas. Ora, pois. Onde eu morava antes havia uns 4 restaurantes vegetarianos que tinham salgados naturais maravilhosos, sucos de clorofila, e o melhor um atendimento de primeira. É verdade que estou tentando achar uma desculpa para um comportamento que não tem como se justificar. Já havia entrado naquele lugar, que também é uma mercearia, umas duas ou três vezes, nunca encontrei o que buscava, e sempre fui pessimamente atendida por essa senhora rabugenta. Sério, eu tenho preguiça desse pessoal metido a muito alternativo, que se investe de ares de superioridade, e se esquece que mais do que aquilo que você, o que lhe define é o que você é o que você sente. Mais saudável que um pão integral é um sorriso, é a vontade de viver, é a gentileza. Saí de lá me segurando pra não dizer nada, respirando fundo pra conter a raiva, jurando que aquilo havia estragado meu dia.
Mas ainda estava com fome, e ai lembrei de um lugar pelo qual eu havia passado há umas duas semanas, uma loja-café, que então me parecera acolhedor. Andei mais uns três quarteirões e cheguei lá. Algo impressionante aconteceu. Foi colocar os pés no lugar, e de um instante a outro toda a raiva havia passado, senti como se fosse outra pessoa. Além da loja de roupas na parte da frente, há um café com uns três ambientes diferentes. Eu não tive dúvida, sentei num sofá na parte dos fundos, integrada com um quintal deliciosamente autêntico. Tudo muito simples, flores em latinhas de leite condensando, cadeiras cobertas com mantas, elegantemente simples. Parecia que eu estava na casa da minha avó, a casa em que ela morava quando eu era criança, mas, ao mesmo tempo, como se essa casa fosse num daqueles idílicos lugares em que se sabe viver bem, naquela Itália ou França dos filmes. Sensação essa reforçada pela excelente seleção de músicas que tocavam ao fundo.
Pra começar, um sanduiche gratinado e um suco de laranja. Enquanto eu lia calmamente meu livro no confortável sofá branco e via os passarinhos brincarem no quintal, ja senti o cheiro da laranja sendo espremida e do sanduiche começando a esquentar. Suco doce, sanduiche suculento. Depois, mais por gula do que por fome, tive que pedir o "bolo do dia", um bolo de cenoura que veio macio e ainda morninho, com gosto de afeto. E um "pingado", que é como se chama aqui em Porto Alegre o que em São Paulo se chama "espresso com leite" [e o latte tem o nome de "cortado"], que veio servido numa xícara fofa, com uma alça daquelas ideais, que não queimam a mão, acompanhado de bolachinhas. O atendimento foi simplesmente impecável, nem daqueles invasivos que não te deixam terminar direito a comida, nem daqueles que te deixam esperando feito bobo. Daquele que sabe te respeitar, que te faz sentir acolhido e com vontade de voltar. Ah... eu já intui isso quando percebi que ali não tem um balcão, mas uma "cozinha" aberta, que te faz sentir convidado na casa de um amigo. E se você também ficou com vontade de conhecer esse espaço com o singelo nome de "lugar maior", ele fica na rua Felipe Camarão, n. 224, em Porto Alegre, onde agora fiz minha morada. Quem estiver longe, pode dar uma espiada no blog: http://lugarmaior.blogspot.com/ Mas, o mais importante é descobrir um "lugar maior" perto de você, porque o que faz a vida ter graça são mesmo esses pequenos grandes momentos que são capazes de mudar o teu humor, transformar sua "energia", afinal, good vibes são essenciais para um café verdadeiramente bom.
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domingo, 12 de setembro de 2010
Um dia perfeito: Um delicioso café depois de comer a Mônica Bellucci
Já faz um bom tempo que não posto por aqui... hoje retomo as postagens, e o faço compartilhando uma experiência bastante simples, que retrata meu novo cotidiano, aqui em Porto Alegre. Já faz pouco mais de um mês que a capital gaúcha passou a ser minha nova cidade, e, como não poderia deixar de ser, o passeio por suas ruas sempre é feito com o objetivo explícito ou implícito de encontrar lugares interessantes para provar um bom café. E nesse caso, acabo parecendo criança em parque de diversões: os lugares são muitos, um mais atraente que o outro. Estou vivendo aquele momento em que cada vez que ponho os pés para fora de casa, acabo fazendo uma descoberta nova. E foi isso o que aconteceu há poucos dias. Enquanto me encaminhava à simpática "feira modelo" que acontece numa rua aqui perto [que começa às 14 e vai até as 20!], com produtos fresquinhos vendidos diretamente pelos produtores, bateu aquela fominha. No caminho, vi um lugar chamado Pizza do Pão [ www.pizzadopao.com.]. Achando que se tratava de uma pizza feita de pão, entrei no lugar pra descobrir a novidade, mas descobri que se trata de uma pizza tradicional, e que "pão" é o apelido do dono. Tudo bem, nada de novidade, mas o lugar é uma graça, então, resolvemos ficar mesmo por ali. Mas a surpresa mesmo estava no cardápio. Dentre os sabores clássicos, como "Toscana", "Napolitana", "Pesto", surgiu um outro nome italiano que, evidentemente, chamou a atenção: "Monica Belucci". Sim, ali havia uma pizza com o nome da musa italiana, e, já que a idéia era ir em busca de novidades, não tive dúvida, e pedi: quero provar a Monica Bellucci. Mesmo não sendo de pão, a massa é diferente das receitas que já havia provado, e quanto à Bellucci, em particular, ah, uma delícia! A receita leva pimenta dedo-de-moça, picante de verdade, cheguei quase a chorar. Mas como valeu! E descobri que eles tem as pizzas congeladas, aliás, essa é a especialidade do lugar, então você pode comprar e levar pra casa pra comer uma Calabrese, uma Don Corleone ou uma Monica Bellucci a hora que quiser. Mas embora o dia já estivesse perfeito, a perfeição não acabou por aí. Depois de comer a Monica Bellucci, fui à maravilhosa boulangerie Carina Barlett [farei uma postagem só sobre esse lugar, que merece muito, e como merece, toda nossa atenção] tomar um espresso daqueles, daqueles perfeitos. Ah, como a felicidade é simples. É verdade que ainda estou naquela fase de enamoramento com a cidade, na qual tudo são flores e o coração bate mais forte a cada novo ângulo que se descobre. Mas, até o momento, a vida em Porto Alegre tem sido isso mesmo, gozar os pequenos prazeres, deixar-se encantar por uma nova paisagem, por um novo gosto, por um novo cheiro, por um novo lugar, e descobrir ali aquelas coisas sofisticadamente simples que nos fazem sorrir.
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sábado, 15 de maio de 2010
Sombra e Café Fresco: Florinda
1) Qualidade do café: excelente! O café servido tem uma das origens mais nobres dentre os cafés brasileiros, a Fazenda Pessegueiro, situado na região "mogiana", e já faturou prêmios internacionais. 100% arábica, obviamente, torra média, sabor encorpado com retrogosto bem persistente, aromas que lembram castanha e chocolate. A "crema" veio espessa e firme, como se pode ver na foto ao lado, o que indica não apenas qualidade do grão, mas competência na moagem e na regulagem da máquina para garantir uma extração ideal.
2) Qualidade da Xícara: esse ainda parece ser o ítem que mais deixa a desejar até mesmo nos excelentes cafés. A boca larga faz com que o café esfrie muito rápido, ainda mais num dia de temperatura amena como aquele em que lá estive, e essa alça é daquelas que fazem a mão escorregar um pouco. Como disso, para um espresso curto, o estrago não é tão grande, mas para um lungo ou latte, é certeza que o dedo queima ao encostar na xícara. Acho que vou fazer qualquer dia desses um post especial sobre xícaras! Parece besteira, mas é como taça de vinho, o formato influencia e muito o resultado final.
3) Atendimento: no dia em que estive no café, estava com alguma pressa, então, naquela circunstância, o atendimento ideal para mim era o rápido e prestativo, e foi exatamente isso o que obtive, tanto quando perguntei sobre qual o café servido, quanto sobre os docinhos de acompanhamento. Fui informada com rapidez e objetividade sobre as coisas que queria saber, ainda no balcão, porque queria dar uma olhadinha nos docinhos antes, e poucos instantes depois que sentei na mesa, recebi o muffin e o café bem quentinho. Atendimento ideal.
4) Cadeiras e mesas: mesas e cadeiras de madeira estilo colonial. Mesas para 4 pessoas, podendo ser agrupadas. Há mesas na parte interna e na sacadinha, todas muito agradáveis. As cadeiras são muito confortáveis, adornadas com mantas cor-de-vinho, combinando com as paredes, enquanto as mesas tem vazinhos com flores naturais. Destaque também para a iluminação, indireta, com abajures de parede e luz natural que entra pelas portas e janelas. É um ambiente pequeno mas extremamente bem arejado, conforme o lugar que se escolhe sentar, tem-se uma vista para a linda decoração interna do café, ou para a deliciosa e arborizada Aspicuelta.
5) Sons no ambiente: confesso que se havia música não prestei atenção. Acho que tenho que voltar lá então... Lembro apenas de ouvir os passarinhos do lado de fora. No horário que fui [15:30 de uma sexta] havia apenas outra mesa com duas pessoas, então estava bastante silencioso. Mas, como não é muito grande, não acredito que chegue a ficar barulhento.
6) Acompanhamentos: provei apenas um Muffin de limão, que estava bom, nem muito doce nem muito azedo, embora a massa estivesse um pouco mais quebradiça do que deveria. Há opções de diferentes tipos de brigadeiro, de bolo caseiro, que estava com uma cara muito boa. Também serve pratos variados, com destaque para as saladas, mas estes não são exatamente acompanhamentos para o café...
7) Um "q" a mais... É lindo, muito lindo, bastante florido, bastante feminino, embora certamente seja um ambiente que agrada não apenas às mulheres. Pena que tive pouco tempo para ficar por lá, mas é certamente um daqueles lugares em que se pode esquecer da vida olhando a paisagem, ou ler um livro com calma [há inclusive alguns disponíveis para leitura] ou perder a noção do tempo batendo um bom papo. Ah, também é possível comprar o café da fazendo pessegueiro torrado, moído e embalado a vácuo pra levar pra casa, assim como blends de chás [ainda volto lá só pra provar os chás!], pães integrais e geléas.
O café Florinda fica na Rua 181, e funciona de 2a a 6a das 10:00 às 19:00 e sábados das 12:00 às 18:00.
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domingo, 25 de abril de 2010
Stuzzi - um refúgio perto do Metrô da Vila
Hoje quero começar uma seqüencia de posts voltadas a avaliação de alguns estabelecimentos de São Paulo que servem café. Começo, é claro, pela Vila Madalena [embora alguns cafés da região já tenham sido temas de postagens anteriores]. Nessas postagens irei considerar alguns critérios que são importantes pra mim [totalmente subjetivos!], e que imagino que podem ajudar os leitores na hora de escolher onde marcar um bate papo com algum amigo ou onde fazer uma pausa para um cafézinho. Afinal, não basta o café ser bom e bem tirado. É preciso que a xícara seja adequada, que o lugar seja agradável e que o dito cujo esteja em boa companhia. Eis, afinal, os critérios: 1) Qualidade do café; 2) Qualidade da Xícara; 3) Atendimento; 4) Cadeiras e mesas; 5) Sons no ambiente 6) Acompanhamentos 7) Um "q" a mais...
Começo com o Stuzzi, que fica pertinho do Metrô da Vila Madalena, na rua Paulistânia no. 450. Depois de um dia cheio de poluição e barulho, de sobe e desce de metrô, parar no Stuzzi é quase como parar num Oasis. Há mesinhas do lado de dentro e de fora, poucas mesinhas, aliás, garantindo a tranquilidade do seu "coffee break" mesmo quando o ambiente está "lotado". E se não estiver "in the mood" para um café, certamente será difícil deixar passar a chance de provar um sorvete, porque a casa oferece um dos melhores sorvetes da cidade, seguindo uma receita italiana impecável. Figo com marsala ou chocolate belga são dois dos meus favoritos. Mas, passemos então à avaliação segundo os critérios acima propostos.. 1) Qualidade do café: o café é muito bom [no seguinte ranking pessoal: ruim, tomável, bom, muito bom, excelente, excepcional], da marca ORFEU, proveniente da Fazenda Sertãozinho, do Sul de Minas. Antes eles serviam também o Eurídice, mas acho que está fora do cardápio agora, embora você encontre ambos para vender no pacote. 2) Qualidade da Xícara: a xícara é personalizada com o desenho da marca Orfeu, mas é daquelas cuja asa não facilita muito o manuseio. Pra um espresso, até que vai, mas já para um duplo ou latte, complica a situação do dedo, que encosta na xícara em queima ; 3) Atendimento: as moças que atendem são prestativas e tiram bem o café, mas às vezes ele demora um pouco pra vir, e algumas vezes chegou até mim, um pouco frio; 4) Cadeiras e mesas: as cadeiras são confortáveis, permitem uma boa acomodação das costas e as mesas têm tamanho razoável, acomodando até três pessoas, embora duas seja o ideal. Na parte interna há pufes pequenos e bancos altos no balcão, estofados, bom pra quando se está com pressa; 5) Sons no ambiente: geralmente, música italiana ou jazz, sempre num volume agradável. Como o lugar é pequeno, a conversa alheia nunca chega a ser um problema. Embora o espaço seja aberto e as mesas sejam voltadas paras a rua, os carros não são muitos, permitindo que a experiência auditiva seja bem agradável 6) Acompanhamentos: um dos pontos fortes do lugar. Não tanto pela variedade, mas pela qualidade maravilhosa dos produtos, que são pares perfeitos para o café. Da turma do "sal" tem um folhado de alcachofra com queijo chèvre que é um negócio. Da turma do doce, os meus favoritos absolutos [além do sorvete, que não é exatamente um 'acompanhante' de café, então não conta] há os muitos tipos de Brownie, dos quais provei dois, o amargo, com chocolate belga [da foto acima], e a novidade da casa, o brownie com chocolate VALRHONA. Sim Valhrona!!! Depois que provei esse nem perco tempo provando os demais. 7) Um "q" a mais...: o aconchego do lugar, ao ar livre, com boas revistas pra ler, e os doces muuuito bem feitos. Um bom café merece um acompanhamento digno.
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