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sexta-feira, 4 de março de 2011

Café - a perfeição efêmera

Outro dia sentei-me calma num lugarzinho charmoso, já ansiosa pela chegada de uma xícara de um espresso perfeito. E comecei a pensar sobre porque algo tão efêmero como o café, que não pode demorar mais do que uns poucos minutos pra ser degustado, pode ter se tornado objeto de tamanha adoração, de tamanha dedicação desde o cultivo até a extração. Por que ele é tema de músicas, de pinturas. de blogs? Por que um café mereceria aquele tipo de atenção que demanda a perfeição? Oras... porque o café é como uma obra de arte efêmera. Ele toca os sentidos de uma maneira profunda. Ele fala ao tato, ao olfato, ao olhar. Existe algo de belo numa xícara perfeita. E parece ser ainda mais belo porque efêmero. Cada vez mais tenho a convicção - mais sentida do que pensada - de que são as coisas efêmeras as que mais importam. Nada contra as coisas duradouras. Mas o que importa nas coisas duradouras é justamente o uso efêmero que delas fazemos: é o conforto da cama a cada vez que se deita nela, é o coração que bate com cada novo beijo do já duradouro amor, é o nosso ser que persiste no decorrer de nossa vida, mas que só "é" para nós nesse momento, nesse agora, mesmo que traga consigo todo seu passado, todas as emoções já vividas, as ideias já pensadas. E o que dá graça a essa existência senão esse conjunto de efêmeros, que vem e que vão, e que sempre que surgem, novos ou velhos, nos fazem sentir prazer em viver.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Meu primeiro moinho de café...

Há tempos que venho sonhando em comprar uma máquina de espresso, mas, não queria qualquer uma. Como não queria qualquer uma, precisaria desembolsar uma quantia que está muito além do potencial financeiro pra quem vive de bolsa [veja bem, de bolsa - da Fapesp, no caso, e olha que não to reclamando - e não da Bolsa, o que são duas coisas muito diferentes], resolvi fazer como fazem os italianos: continuo com minha boa e velha Mocha Bialleti, que tira a quantidade de café na medida ideal para meu café da manhã. E mais recentemente, estou me divertindo com a Aeropress, que apareceu como dica na Revista Espresso e que tive a felicidade de encontrar no Coffee Lab, da Isabela Raposeiras. Mas confesso que ainda não domino plenamente a técnica do Aeropress, embora o café seja realmente divino quando eu consigo acertar o ponto!


Quanto ao espresso pra beber na rua, geralmente depois do almoço ou no meio da tarde, naquela hora e a cabeça começa a pifar. Estou felicíssima com minha decisão, afinal, sair de casa nesse friozinho ensolarado com a desculpa de tomar um café é a melhor coisa que se pode fazer! 


Contudo, sentia ainda a necessidade de um certo improvement no meu consumo diário. Embora compre sempre cafés gourmet fresquinhos, ficava um pouco frustrada com a pouca disponibilidade de cafés com moagem adequada para Mocha, sendo que o mais próximo é a moagem para espresso mesmo. Então decidi, finalmente, comprar um moedor elétrico! Café moidinho na hora e com a granulometria adequada? What else could I wish? Claro que também não dava pra comprar um moedor "pro", então, fui atrás de um doméstico mesmo. E enquanto pesquisava modelos, tipos de hélice e essa coisa toda, acabei descobrindo que e tinha acumulado pontos suficientes no meu banco, e no site conveniado havia - pasmem!- a possibilidade de trocar pontos por um moedor da marca Cadence.




Minha avaliação sobre o dito cujo? Bem, não é exatamente aquela Brastemp, as hélices são retas, embora eu preferisse côncavas [produzem uma moagem que fica mais encaixada], tem o inconveniente de não vir nenhuma instrução sobre o tempo que deve ficar ligado para a granulometria desejada [se para filtro, mocha, espresso, french press, etc.], mas depois de alguns cafés aguados e outros com muita borra, é possível chegar muito próximo da perfeição [daquela possivel para a produção caseira com uma máquina caseira]. Mas, o que posso dizer, cheirinho de café recém moído logo cedinho é algo que, definitivamente, não tem preço. Estou feliz da vida com a minha aquisição e com a não compra de uma máquina de espresso [por enquanto, é claro]. E quem estiver na dúvida, eu recomendo: compre um moinho, é baratinho [entre 70 e 150, dependendo da marca] e aumenta, em muito, o prazer de fazer café em casa.

sábado, 15 de maio de 2010

Sombra e Café Fresco: Florinda

A cada dia que passo pela rua Aspicuelta ela está indiscutivelmente mais linda. Da metade entre Fidalga e Simão, bares, bares, muitos bares. Tradicionais e novos, com uma coisa em comum: sempre lotados, muito lotados. Da Fidalga até a Harmonia, parecemos entrar em outro universo. Os bares dão lugar a lojas, muitas lojas. Lojas de roupa, de bolsas, sapatos, salões de cabelo, artesanatos, e por ai vai. Mas não quer dizer que por ali não haja bares, mas eles têm uma cara diferente, são bares charmosos, restaurantes lindos [como o Madeleine - que ainda não tive a felicidade de conhecer], e cafés e doçarias, como "O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo", que está de endereço novo [já passei por lá, mas será tema de outro post], e o lindo e florido "Florinda", que será o tema do post de hoje, dando continuidade à seção "avaliação dos cafés de São Paulo". Essa foi minha primeira visita ao café, portanto, trata-se de uma avaliação baseada em um primeira impressão, embora tenha tomado nota de tudo direitinho, seguindo os critérios que propus no post anterior. Então, vamos ao que interessa!

1) Qualidade do café: excelente! O café servido tem uma das origens mais nobres dentre os cafés brasileiros, a Fazenda Pessegueiro, situado na região "mogiana", e já faturou prêmios internacionais. 100% arábica, obviamente, torra média, sabor encorpado com retrogosto bem persistente, aromas que lembram castanha e chocolate. A "crema" veio espessa e firme, como se pode ver na foto ao lado, o que indica não apenas qualidade do grão, mas competência na moagem e na regulagem da máquina para garantir uma extração ideal.


2) Qualidade da Xícara: esse ainda parece ser o ítem que mais deixa a desejar até mesmo nos excelentes cafés. A boca larga faz com que o café esfrie muito rápido, ainda mais num dia de temperatura amena como aquele em que lá estive, e essa alça é daquelas que fazem a mão escorregar um pouco. Como disso, para um espresso curto, o estrago não é tão grande, mas para um lungo ou latte, é certeza que o dedo queima ao encostar na xícara. Acho que vou fazer qualquer dia desses um post especial sobre xícaras! Parece besteira, mas é como taça de vinho, o formato influencia e muito o resultado final.






 3) Atendimento: no dia em que estive no café, estava com alguma pressa, então, naquela circunstância, o atendimento ideal para mim era o rápido e prestativo, e foi exatamente isso o que obtive, tanto quando perguntei sobre qual o café servido, quanto sobre os docinhos de acompanhamento. Fui informada com rapidez e objetividade sobre as coisas que queria saber, ainda no balcão, porque queria dar uma olhadinha nos docinhos antes, e poucos instantes depois que sentei na mesa, recebi o muffin e o café bem quentinho. Atendimento ideal.


4) Cadeiras e mesas: mesas e cadeiras de madeira estilo colonial. Mesas para 4 pessoas, podendo ser agrupadas. Há mesas na parte interna e na sacadinha, todas muito agradáveis. As cadeiras são muito confortáveis, adornadas com mantas cor-de-vinho, combinando com as paredes, enquanto as mesas tem vazinhos com flores naturais. Destaque também para a iluminação, indireta, com abajures de parede e luz natural que entra pelas portas e janelas. É um ambiente pequeno mas extremamente bem arejado, conforme o lugar que se escolhe sentar, tem-se uma vista para a linda decoração interna do café, ou para a deliciosa e arborizada Aspicuelta. 


5) Sons no ambiente: confesso que se havia música não prestei atenção. Acho que tenho que voltar lá então... Lembro apenas de ouvir os passarinhos do lado de fora. No horário que fui [15:30 de uma sexta] havia apenas outra mesa com duas pessoas, então estava bastante silencioso. Mas, como não é muito grande, não acredito que chegue a ficar barulhento. 


6) Acompanhamentos: provei apenas um Muffin de limão, que estava bom, nem muito doce nem muito azedo, embora a massa estivesse um pouco mais quebradiça do que deveria. Há opções de diferentes tipos de brigadeiro, de bolo caseiro, que estava com uma cara muito boa. Também serve pratos variados, com destaque para as saladas, mas estes não são exatamente acompanhamentos para o café...


7) Um "q" a mais...  É lindo, muito lindo, bastante florido, bastante feminino, embora certamente seja um ambiente que agrada não apenas às mulheres. Pena que tive pouco tempo para ficar por lá, mas é certamente um daqueles lugares em que se pode esquecer da vida olhando a paisagem, ou ler um livro com calma [há inclusive alguns disponíveis para leitura] ou perder a noção do tempo batendo um bom papo. Ah, também é possível comprar o café da fazendo pessegueiro torrado, moído e embalado a vácuo pra levar pra casa, assim como blends de chás [ainda volto lá só pra provar os chás!], pães integrais e geléas. 




O café Florinda fica na Rua 181, e funciona de 2a a 6a das 10:00 às 19:00 e sábados das 12:00 às 18:00.

domingo, 25 de abril de 2010

Stuzzi - um refúgio perto do Metrô da Vila




Hoje quero começar uma seqüencia de posts voltadas a avaliação de alguns estabelecimentos de São Paulo que servem café. Começo, é claro, pela Vila Madalena [embora alguns cafés da região já tenham sido temas de postagens anteriores]. Nessas postagens irei considerar alguns critérios que são importantes pra mim [totalmente subjetivos!], e que imagino que podem ajudar os leitores na hora de escolher onde marcar um bate papo com algum amigo ou onde fazer uma pausa para um cafézinho. Afinal, não basta o café ser bom e bem tirado. É preciso que a xícara seja adequada, que o lugar seja agradável e que o dito cujo esteja em boa companhia. Eis, afinal, os critérios: 1) Qualidade do café; 2) Qualidade da Xícara; 3) Atendimento; 4) Cadeiras e mesas; 5) Sons no ambiente 6) Acompanhamentos 7) Um "q" a mais...

Começo com o Stuzzi, que fica pertinho do Metrô da Vila Madalena, na rua Paulistânia no. 450. Depois de um dia cheio de poluição e barulho, de sobe e desce de metrô, parar no Stuzzi é quase como parar num Oasis. Há mesinhas do lado de dentro e de fora, poucas mesinhas, aliás, garantindo a tranquilidade do seu "coffee break" mesmo quando o ambiente está "lotado". E se não estiver "in the mood" para um café, certamente será difícil deixar passar a chance de provar um sorvete, porque a casa oferece um dos melhores sorvetes da cidade, seguindo uma receita italiana impecável. Figo com marsala ou chocolate belga são dois dos meus favoritos. Mas, passemos então à avaliação segundo os critérios acima propostos..   1) Qualidade do café: o café é muito bom [no seguinte ranking pessoal: ruim, tomável, bom, muito bom, excelente, excepcional], da marca ORFEU, proveniente da Fazenda Sertãozinho, do Sul de Minas. Antes eles serviam também o Eurídice, mas acho que está fora do cardápio agora, embora você encontre ambos para vender no pacote.  2) Qualidade da Xícara: a xícara é personalizada com o desenho da marca Orfeu, mas é daquelas cuja asa não facilita muito o manuseio. Pra um espresso, até que vai, mas já para um duplo ou latte, complica a situação do dedo, que encosta na xícara em queima ; 3) Atendimento: as moças que atendem são prestativas e tiram bem o café, mas às vezes ele demora um pouco pra vir, e algumas vezes chegou até mim, um pouco frio; 4) Cadeiras e mesas: as cadeiras são confortáveis, permitem uma boa acomodação das costas e as mesas têm tamanho razoável, acomodando até três pessoas, embora duas seja o ideal. Na parte interna há pufes pequenos e bancos altos no balcão, estofados, bom pra quando se está com pressa; 5) Sons no ambiente: geralmente, música italiana ou jazz, sempre num volume agradável. Como o lugar é pequeno, a conversa alheia nunca chega a ser um problema. Embora o espaço seja aberto e as mesas sejam voltadas paras a rua, os carros não são muitos, permitindo que a experiência auditiva seja bem agradável 6) Acompanhamentos: um dos pontos fortes do lugar. Não tanto pela variedade, mas pela qualidade maravilhosa dos produtos, que são pares perfeitos para o café. Da turma do "sal" tem um folhado de alcachofra com queijo chèvre que é um negócio. Da turma do doce, os meus favoritos absolutos [além do sorvete, que não é exatamente um 'acompanhante' de café, então não conta] há os muitos tipos de Brownie, dos quais provei dois, o amargo, com chocolate belga [da foto acima], e a novidade da casa, o brownie com chocolate VALRHONA. Sim Valhrona!!! Depois que provei esse nem perco tempo provando os demais. 7) Um "q" a mais...: o aconchego do lugar, ao ar livre, com boas revistas pra ler, e os doces muuuito bem feitos. Um bom café merece um acompanhamento digno.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Café na terra do Chá









Quando se pensa em Inglaterra, logo vem à cabeça uma de suas mais famosas "instituições": o chá das 5. Trata-se de uma instituição ainda bastante vigorosa, afinal, como pude constatar em minha primeira e recente viagem àquelas terras, por volta desse horário todos os estabelecimentos do gênero encontram-se lotados. E nas mesas, vê-se mesmo a famosa combinação "tea and scones". No entanto, talvez em uma proporção igual ou maior à de chá, vemos também numerosas xícaras de café, whether black or latte, acompanhadas de todo tipo de quitute. Mas, nos outros momentos do dia, o café parece reinar absoluto: no café da manhã, que durante a semana parece mais com o continental breakfast do que com o tradicional "english breakfast", no meio da manhã, depois do almoço, no meio da tarde ou até após o jantar. Trata-se de um hábito também já bastante enraizado. E há uma coisa bastante na moda por lá: o fair trade coffee. Não é raro ver plaquinhas na frente dos estabelecimentos assegurando que os cafés ali servidos foram comprados por vias que garantem um padrão de negociação justo. E não apenas nos locais que servem o cafezinho, mas também nos vários locais dedicados exclusivamente à venda do grão. Aliás, esse é outro fato curioso. Nas casas que frequentei, pude observar que a preferência é pelo grão inteiro, que é moido em casa, na hora, contribuindo pra ter um aroma mais intenso. Os cafés de origem costa-riquenha ainda parecem mais populares por lá do que os brasileiros, embora estes ganhem em fama, o que os torna mais caros. Em uma das fotos abaixo, tirada na casa da famíla Watts-Miller, em Bristol, pode-se ver o moedor mais utilizado por lá, bem como o modelo de cafeteira doméstica mais popular: a cafeteira francesa, que produz um café menos encorpado que o da de espresso ou da famosa "italiana", mas mais encorpado que o da cafeteira de filtro.


Eu bem que tentei atualizar o blog durante a viagem, mas o tempo foi curto demais, então, já de volta pra casa, faço um breve balanço dos cafés mais marcantes da viagem, mostrando algumas fotos.


O primeiro lugar realmente impressionante, talvez um dos mais marcantes, foi no Bibury Court, que é um hotel com um café aberto a visitantes situado numa mansão do século XVIII, situado na minúscula cidade de Bibury, na região de Costwold, entre Bristol e Oxford. Em meio a uma natureza realmente exuberante, com árvores e riachos, o café fica num salão elegante, com lareira, poltronas delicadamente revestidas de couros o tecido floral, dando ao visitante a impressão de que está sendo recebido em uma casa. Naquele dia extremamente frio e chuvoso, aquela magnífica xícara de latte [enorme, muito cremoso] ficou realmente cravada na memória. Poderia passar ali o resto do dia, olhando a paisagem e gozando da companhia de Elizabeth e William, os maravilhosos "cicerones" que me fizeram ter momentos realmente incríveis em Bristol. As fotos, no sentido horário, são a 4 e a 6. Para saber mais sobre o local, é só dar uma olhadinha no site e suspirar de vontade:

Outro lugar bastante interessante é o Caffé Nero, uma rede espalhada por vários lugares da Inglaterra, que serve um café de excelente qualidade. Dentre aqueles que tive a chance de frequentar, o mais marcante foi aquele que fica dentro da Berghan Books, em Oxford. Depois de passar umas boas horinhas olhando o fantástico acervo da livraria, a parada no café é mesmo uma experiência que não se deve perder, experiência que alias repeti mais de uma vez. Lembro bem do primeiro dia. Era o primeiro dia de sol desde que chegara, o que me fez acordar de muito bom humor. Mas o sono ainda era forte. Caminhei um tanto pelas ruas ainda vazias de Oxford, tentando conhecer um pouco mais a cidade, buscando desesperadamente por um lugar em que pudesse beber um café para me aquecer e, sobretudo, para acordar, pois teria um dia cheio pela frente. Eu só poderia entrar na Bodleian Library às 09, e descobrir a Berghan já aberta aquela hora foi a melhor surpresa. Carregada com os novos livros recém comprados, sentei na mesa do café, acompanhada de uma linda xícara de café e um muffin de laranja com pecã [foto 3]. Naquela mesinha de madeira, batia um fio de sol e, erguendo a cabeça, via pela janela o conjunto arquitetônico que provavelmente é o mais representativo de Oxford, a frente da Bodleian e, ao lado, o Sheldonian Theatre com sua magnífica cúpula [foto 5]. Naquele momento, o fato de só poder entrar na biblioteca depois das 09 deixou de ser um problema, pois ficar sentada naquela mesa, bebendo café, e lendo as minhas novas "aquisições" me fazia ter a impressão de que o tempo parara. Acho que foi por isso que não consegui ter tempo de atualizar o blog... a atmosfera era tão absorvente que a cabeça parecia habitar outro mundo.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Black Gold - The Movie: Pensar não é o mesmo que Parar

O filme "Black Gold" foi lançado em 2006, e circulou pelo Brasil na Mostra de Cinema de São Paulo. Ainda não tive a chance de vê-lo, portanto, não é exatamente sobre esse documentário que escrevo aqui. Quero apenas compartilhar algumas reflexões que têm frequentado meus pensamentos desde que vi o trailer [abaixo] e li os comentários que se seguiam a ele no youtube.
Esses comentários variavam de "por isso que não tomo café" até "por que sempre que há algo de bom alguém precisa jogar um balde de água fria?". Isso, é claro, fez-me pensar. Sim, esse blog é dedicado ao amor pelo café, a todo o universo gastronômico, culural, estético e simbólico que está a seu redor. Então, pode parecer um pouco despropositado trazer para esse espaço considerações de natureza mais crítica, convidar os leitores a pensar no lado duro da história. Mas, por mais despropositado que isso pareça, resolvi enfrentar a questão. Vejamos. A primeira consideração a ser feita, é essa: embora ainda não tenha assistido, não tenho dúvidas de que esse documentário já traz consigo o grande mérito de trazer para o debate público uma questão tão relevante, que se aplica também ao caso do café, mas não apenas a isto: todas as coisas que chegam até nós, a não ser aquelas oriundas diretamente da natureza,[ou seja, a chuva que cai na cabeça, o ar que entra pelos pulmoes, e mais umas poucas coisas não mediadas pelas mãos humanas, são fruto do trabalho. Isto é, têm um valor, um valor incorporado nelas que em virtude desse trabalho. E a história da humanidade, desde sempre, tem sido a história da dominação, da apropriação do trabalho alheio. Ou seja... não falo de outra coisa a não ser da teoria do valor trabalho de Marx. Assim foi em toda civilização, assim foi com a cana de açúcar no Brasil, que dependia da mão de obra suada e sofrida dos escravos. Sim, a humanidade é extremamente lenta em seu processo de aprendizado, e muitas vezes as mudanças acontecem por razões que não necessariamente brotam imediatamente da consciência moral. No caso da cana de açúcar: o trabalho escravo passou não apenas a ser proibido legalmente, mas passou a ser repudiado pela consciência moral média [agora passamos de Marx para Durkheim...] - no entanto, ninguém disse que, dado que a produção do açúcar estava intrinsecamente ligada à mão de obra escrava, dever-se-ia parar de consumir açúcar. A questão que se impunha e continua a se impor é a de encontrar formas cada vez mais justas de produção desse bem. Agora não dá pra entrar no mérito da questão sobre o que é justo ou não, de quais as estratégias que diminuem a desigualdade, etc., coisa que estaria num nível de discussão da economia ou da sociologia econômica [que não é a minha área]. Fico mais nas questões, digamos, filosóficas do problema. O que quero dizer, é que o mesmo se aplica ao caso da produção do café [aliás, pensemos também que algo semelhante ocorre com a produção de cacau, com a extração de diamantes, etc.]. Fechar os olhos para a questão não a faz desaparecer. Deixar de tomar café não trará o bem-estar material que os produtores de café necessitam. Qual a solução do problema? Gostaria de saber, mas não sei. Claro que a idéia do projeto de "Fair Trade" [no próximo post trarei mais informações sobre isso] parece apontar para um caminho mais interessante, muito embora com grande freqüências as idéias costumem ser mais interessantes e mais justas do que a prática. Mas já são um começo.
Contudo, onde é que quero chegar afinal de contas? Em primeiro lugar, a uma defesa da proposta do documentário: o primeiro passo para a superação de qualquer injustiça é mostrar que ela existe, fazer com que a consciência moral da sociedade humana a sinta como uma injustiça. Tornar público um problema é a condição primeira para tentar superá-lo. Este é o papel crucial desse documentário e de todos os esforços concentrados nessa direção. Em segundo lugar, deixo de lado a questão da crítica e da importância da esfera pública na formação da consciência moral, para uma outra questão, menos ética, talvez mais estética não sei. O café foi, é, e continuará sendo objeto de desejo. Quanto mais se desejar um excelente café, tanto mais isso indicará um aprimoramento de nossos gostos. E acima de tudo, queria concluir com o seguinte: que sentido teria a vida, que sentido teria a abundância de bens materiais, se nossas vidas não fossem pontilhadas por esses pequeninos grandes prazeres, sejam estes assistir um filme, dar risadas, estar na companhia das pessoas que amamos, viajar num livro, ou beber uma pequena xícara com uma densa espuma de um perfumado café? Se isso é tão importante pra nós, que seja igualmente valorizado o trabalho daqueles que tornam esse prazer possível.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ekoa: latte e twitter

Eu normalmente não abro mão do espresso purinho, o black coffee legítimo. Mas hoje tá fazendo um friozinho gostoso, e ai resolvi pedir uma média, o que me remete à infância, especialmente a casa da minha avó, que, aliás, até hoje bebe um cafezinho com leite antes de dormir, quando acorda, depois de comer. É pra "sentar o pelo", como ela diz. E não foi má escolha. To de novo aqui no Ekoa café, sobre o qual já escrevi. Aliás, posto o blog aqui do café mesmo, que tem uma rede wireless excelente, rápida, gratuita, e o melhor, você pode ficar o tempo que quiser, ninguém te pressiona pra ir embora. AS atendentes, super simpáticas, aliás, só vem conferir a mesa quando as chamamos apertando um botãozinho. Aqui é tão bom que acabo perdendo o horário... agora mesmo deveria estar em casa trabalhando. Mas, sem esses pequenos momentos, que graça teria a vida? Ah, antes que me esqueça do fundamental: o café estava absolutamente perfeito, medida exata de leite, espuma quase transbordando, como se pode ver na foto. E as xícaras aqui são daquelas que deveriam ter em todo lugar: com aquela alça que encaixa o dedo e evita que queime. Como já dizia alguém, a perfeição mora nos detalhes. www.ekoacafe.com.br


Café Aprendiz


O Café Aprendiz já deve ser conhecido do público que gosta de café, afinal, vira e mexe lemos alguma indicação sobre ele nos guias de São Paulo. Não é de hoje que frequento esse lugar, e não podia deixar de fazer meu comentário. Como é possível ver na foto da xícara, o espresso tem um creme bom, não é tããão espesso, mas é bom, muito bem tirado. Ele vai bem depois do almoço, ou no meio da tarde, acompanhado de um dos vários docinhos, que são produzidos ali mesmo. Mas o que é bacana é que é um lugar simples, sem frescura, com ambiente interno e externo, mas que, ao mesmo tempo, tem todas as "frescuras" indispensáveis, ou seja: há uma variedade de tipos de açúcar e adoçante, para quem gosta do café mais doce; tem o copinho de água com gás, pra limpar o paladar. O antendimento é muito bom: são os próprios jovens do projeto aprendiz, verdadeiros profissionais. É pena que o lugar feche cedo, às 18:00, se não me engano. Enfim, é mais um daqueles lugares em que dá pra esquecer da vida, ou refletir sobre ela. No calor, é sempre muito fresquinho, especialmente na área externa, com uma sombrinha gostosa. Ah, ele fica numa daquelas ruas quase escondidas da Vila Madalena, embora seja muito fácil de chegar: é na Belmiro Braga, uma rua de apenas um quarteirão, que fica entre a Inácio Pereira da Rocha e a Cardeal Arcoverde. Pra quem quiser conhecer mais sobre o espaço e sobre o projeto Aprendiz, é só conferir o site: www.cafeaprendiz.com.br

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Café Amargo

Um café puro não é necessariamente amargo. Ele em geral é doce, cheio de sabores. Mas até um café doce pode ser amargo, quando evoca lembranças tristes, de saudade, de sentir falta, de decepções. Mas o que importa, afinal, é a boa comapanhia daquela xícara que ora levanta os ânimos, ora escuta silenciosamente os suspiros.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

terça-feira, 21 de outubro de 2008

blog coffee

Foi um amigo com uma paixao comum pelo cafe que me contou desse lugar escondidinho no mercado publico de Curitiba: graos de varios lugares do Brasil moidos na hora... Simples, simpatico, uma delicia..

E foi nesse dia que comecou a mania de tirar fotos dos lugares bacanas onde encontro um bom cafe. Agora, puxando pela memoria, inicio esse blog, para compartilhar essas experiencias e impressoes de uma amante amadora dessa bebida tao mágica.